KAMARADAS

SOMETIMES YOU HAVE TO GET LOST TO FIND YOURSELF



Pico Dedo de Deus visto do mirante próximo a portaria Guapimirim do PARNASO.

Igual ao que aconteceu quando subimos o AGULHAS NEGRAS, a travessia Petrópolis X Teresópolis só deu certo na terceira tentativa. A primeira foi no ano passado, convite do Lyra que teve até data marcada, mas foi cancelada devido a chuvarada.... a segunda foi para janeiro desse ano, mas caiu a bomba da doença da JUJU e cancelamos a viagem para cuidar dela. E foi assim que somente em julho de 2013 chegamos ao RIO DE JANEIRO junto com o PAPA FRANCISCO.


Deixamos a charanga da Rubi no estacionamento da sede TERESÓPOLIS (R$ 5,00 por dia) e de lá pegamos um TAXI até a portaria da sede PETRÓPOLIS do PARQUE NACIONAL SERRA DOS ORGÃOS (PARNASO). Esse é o sentido mais puxado da travessia, porém é o que tem a vista mais bonita. Outro fator é que na sede Petrópolis não tem local dentro do parque para deixar o carro. O taxi custou R$ 150,00 e demorou aprox. 1h. entre uma portaria e outra. Os ingressos incluindo banho quente e bivaque saíram por R$ 201,60 para os dois.


No primeiro dia saímos da portaria Petrópolis por volta das 15h e pegamos um dia fantástico de céu azul, ar gelado, sol rachando... a trilha começa muito bem sinalizada, com várias placas indicando as entradas para as cachoeiras véu de noiva, poço do paraíso, poço das bromélias... 


Um bando com quatro JACUAÇUS apareceu na trilha e fizeram até pose para fotos. Isso é o que eu chamo de ser bem recebido... 


Tai a Rubi na Pedra do Queijo estreando a cargueira nova que fui buscar lá no Paraguai. Jopz subiu com aprox. 18kg e a Rubi com 10Kg. A mochila parece maior que ela, mas pra quem gosta de participar da maratona I CAN da academia BE HAPPY 10kg não fizeram nem cosquinha.

 Lagartosauros foram nos receber na Pedra do Queijo.

Jopz na Pedra do Queijo

 Pôr do sol visto de algum lugar entre a Pedra do Queijo e o Ajax. 


Quando chegamos no AJAX a noite caiu. E aí começa a parte mais puxada do primeiro dia que é a subida da ISABELOCA. Nesse trecho foi preciso usar lanternas. Após a subida chegamos ao CHAPADÃO, longos trechos de pedra onde não há trilha certa ou bem definida... existem alguns totens de pedra... nem precisamos mais de lanternas pois a lua estava FULL. Fizemos a navegação visual usando a lua e o cruzeiro do sul como referência e não tivemos problemas. No total foram duas horas de caminhada noturna até o CASTELOS DO AÇU, do qual só vimos a sombra. Essa parte noturna foi muito legal porque a luz forte da lua fazia até sombra. O abrigo fica a esquerda do Castelo e não foi difícil de encontrar.

O Abrigo Açu tem banho quente, luz elétrica (LEDS), beliches, área de bivaque (que na verdade é um acantonamento), cozinha com utensílios e área de camping. O nosso plano era só tomar um banho quente e montar barraca, mas como chegamos tarde e cansados preferimos ficar no bivaque mesmo... Quem nos recebeu foi o funcionário do PARNASO chamado CARLOS.

Resumo do primeiro dia:

- Portaria Petrópolis (Bonfim)
- Pedra do Queijo
- Alto do Queijo
- Ajax
- Isabeloca
- Castelos do Açu 
- Abrigo Açu 
- Aprox. 8Km de trilha em 5h sendo 3h diurno e 2h noturno
- Navegacao facil ate Isabeloca e mais complicada ate o Açu por ser a noite


O segundo dia amanheceu fechado. Não era chuva, e sim aquela neblina densa que nos deixou sem visual. No abrigo onde pernoitaram aprox. 14 pessoas, 10 decidiram abortar a travessia. Na área de camping umas 6 pessoas que também deciriram retornar. Apenas Jopz, Rubi e outros dois aventureiros optaram em seguir adiante (André e Yang), mas eles estavam bem leves, sem barraca, de tênis no pé então só os encontramos novamente no outro abrigo.


Totem de pedra cimentado

Fazer trilhas é uma atividade de contemplação. Ninguém iria para as montanhas se não fosse tão bonito. Mas para ver tudo isso é preciso superar dois desafios: um desafio físico que são as trilhas cheias de subidas, descidas, lama, cobras, insetos, dinossauros e outros obstáculos... e também o desafio mental... Estudar o caminho, enxergar a trilha, navegar usando pontos de referência, ler a carta, conferir a indicação da bússola e todas aquelas coisas legais que aprendi no exército. Usar GPS iria eliminar o desafio intelectual da jornada, então nossa opção foi fazer a travessia sem GPS, sem contratar guia e sem apelar para a Bíblia (só orações segundo a Rubi). Baixar um track e apenas segui-lo nos condenaria a apenas repetir os erros de outros que passaram por ali antes de nós, aprendi isso da forma mais dura na mal sucedida travessia AraçatubaXMonte Crista e foi por isso que o segundo dia, apesar de visibilidade baixa, acabou sendo o mais complicado e o mais divertido. A navegação foi difícil, pois não havia pontos de referência, e aí é que vale a frase de abertura:

AS VEZES É PRECISO ESTAR PERDIDO
PARA ENCONTRAR SEU VERDADEIRO EU...

 Vale do Paraíso

 O "ELEVADOR" que parece perigoso mas é bem sussê... devagar e sempre...


No geral a trilha é uma grande "avenida", bem marcada pela passagens de muitos e muitos visitantes que o parque recebe todos os dias. Porém nos trechos de pedra exposta a tal "avenida" desaparece. Existem muitos totens de pedras empilhadas. Alguns totens levam para trilhas alternativas... outros levam SABE-DEUS-PRA-ONDE e há também algumas setas de metal fixadas na laje. As setas brancas indicam o caminho para Petrópolis e as amarelas para Teresópolis. Nos perdemos duas vezes nesse dia. A primeira vez nos custou uns 30 minutos na descida do Morro do Marco, antes do elevador porque pegamos uma trilha secundária. A segunda foi após o elevador, seguimos uns totens que levavam ao cume do Dinossauro (não precisava ir ao cume) e com o Capim de Anta que não deixa ver o solo isso nos custou 1:30h indo e vindo até achar de novo a "avenida". 

 Uma orquídea selvagem que encontramos durante o tempo que passamos perdidos

A trilha é muito rica em água. No primeiro dia dá pra subir com garrafinha de 500ml... no segundo dia cantil de 1litro é suficiente. O terceiro dia idem. Nos abrigos tem água na torneira. A água mais bonita encontramos no Vale das Antas. Por precaução usamos clorin em todas.


 Pedra da Baleia.




Na maior parte a trilha está preparada para os caminhantes menos experientes. Colocaram escadinhas no ponto chamado de ELEVADOR. Construiram pequenas pontes e passarelas de madeira, de metal, de concreto nos trechos mais perigosos. Porém isso não tira o perigo da história e esse sim foi o momento tenso da jornada: A canaleta onde fica a passagem chamada de CAVALINHO. Esse ponto exige cuidado. Eu passei primeiro, a Rubi veio atras, jogou a cargueira pra mim e assim domou o alazão com mais segurança. Fica nas encostas da Pedra do Sino, ao lado de abismos profundos, mas tudo funciona para quem aplicar a máxima: MUITA CALMA NESSA HORA.


Ainda com dia claro chegamos ao Abrigo 4. É praticamento igual ao Abrigo Açu. Quem nos recebeu lá foi o CHARLES. Como ainda era cedo, optamos pelo camping ao invés do bivaque. Só então descobrimos que havia 03 barracas do PARNASO a disposição, e que não seria preciso montar a nossa, então foi só se jogar na Super Esquilo 2. Depois de um bom banho quente foi só curtir a noite confortável na barraca. 

Resumo do segundo dia:

Castelos do Açu
Morro do Marco
Vale do Paraíso
Morro da Luva
Elevador
Dinossauro
Vale das Antas
Pedra da Baleia
Canaleta-Cavalinho
Pedra do Sino
Abrigo
Aprox. 9Km em 8:30h de caminhada diurna.
Navegação mais complicada porque com a neblinha não dava pra ver os pontos de referência, o jeito foi apelar p/ a bússola e a carta. Segundo a Rubi, o santo também nos ajudou a encontrar a trilha, então AMÉM SÃO LONGUINHO.





O terceiro dia continuou nublado, mas isso não fez diferença, pois a trilha é toda dentro da floresta. Eu li vários relatos dessa travessia antes da nossa viagem, e muitos falavam que esse trecho era chato, monótono e sem graça, mas não achei nada disso. A trilha é leve, desce em zig-zag, e reserva algumas surpresas como grutinhas, cachoeiras, estações de pesquisa, ruínas, atalhos, pássaros (em alguns pontos ouvi mais de 5 cantos diferentes ao mesmo tempo) e ainda apareceu um beija-flor que pousou ao nosso lado e ficou 1/2 dançando e 1/2 zunindo... loko loko o bichinho, acho que cheirou a meia suja de algum montanhista...









O fim da trilha em Teresópolis

Não pegamos chuva. Um pouco de barro no segundo dia, mas nada exagerado. As tralhas e mochilas voltaram limpas. Como tem banho quente e banheiro nos dois abrigos pelo caminho, essa trilha é excelente para levar a esposa, a namorada, as cocotinhas em geral, enfim, aquelas pessoas que as vezes fogem dos acampamentos porque não gostam de tomar banho com toalinha molhada vão encontrar um conforto a mais nessa travessia. A Rubi levou até travesseiro!!!


A trilha está bem limpa, recolhemos pouquíssimo lixo pelo caminho. O trabalho de conservação das trilhas também é visivel. Contenção com pedras, proteção das áreas em recuperação. No geral a organização é muito boa, atendimento educado e atencioso pelo pessoal do parque. Só a limpeza dos abrigos (em parte feita pelos próprios montanhistas) que é muito superficial e poderia ser mais caprichada. 





Resumo do terceiro dia:

Abrigo 4
Cachoeira Véu da Noiva
Barragem
Carro
Portaria Teresópolis
Aprox. 13km em 4h de caminhada diurna. SÓ DESCIDA!
Navegação facílima, a trilha é uma avenida.


Conclusão: Travessia muito bonita. Navegação sem GPS tranquila se tiver visual, mais complicada se estiver com serração. Mesmo sem visual no segundo dia, achei show. Mata Atlântica em sua melhor forma. Em termos de beleza está na minha lista TOP 3 junto com ItaimbezinhoXFortaleza e TartarugaXGaruva. O parque tem 130km de trilhas, só fizemos 30 então tem muita coisa pra conhecer, gostaria de repetir e fazer as trilhas até o DEDO DE DEUS, Mamute, Cubaio, conhecer as cachoeiras, etc... 

Essa foi minha oitava travessia, então achei fácil e divertida. Ficou tensa em alguns momentos quando nos perdemos, mas foi só voltar com atenção até encontrar a trilha principal e seguir adiante. Parabéns para a Rubi pela superação do medo naqueles trechos de abismos.  

Com tanta água e cachoeiras pela trilha, é uma travessia interessante para se fazer no verão, mas como chove todo dia nessa época então é pra quem não tem medo da chuva como diria Raulzito. Jopz curtiu, recomenda, quer repetir e encerra com uma frase do mestre YODA:


"MEDO É O CAMINHO PARA O SOFRIMENTO"

Então mande seus medos pro espaço e vá correndo fazer a travessia Petrópolis X Teresópolis porque você vai sentir a alegria de estar em comunhão com a mãe Gaia. Eu vi o Papa ao vivo lá em Copacabana. Ele é pura simpatia. Esse Papa também é Pop como diria o Engenheiros do Hawai, mas a face de Deus eu vi na travessia Petropolis X Teresopolis em cada folha em cada pedra e cada passo do caminho. 

Links e informações úteis:

Taxi Sr. Ronaldo em Teresópolis: (021) 9864 4353 / 9102 8509


Jopz  - Base1 Brasil - Julho 2013

9 comentários:

Anônimo disse...

Belas imagens e relato! Deu até coragem pra levar a mulé e conhecer num dia desses.
Abraço!
JR

Mauricio Penha disse...

Travessia bem interessante! Já vi um relato do Pedro Hauck numa semana da pátria de 04 dias de sol total. Belas fotos. Boa para a minha lista de próximas.

Jonatan Israel Quadros disse...

Super Jota, pode levar a Lady Camile, minha sugestão para vcs é sair de Teresopolis, subir pela trilha mais leve (fugir da Isabeloca), atacar a pedra do sino, dormir e descer...

Maumau a trilha realmente vale a pernada... se tiver visual então fica perfeito, só que depois da minha experiencia na Serra Fina não recomendo essas duas travessias em feriados, fica entupido de gente... no trecho da canaleta congestiona de gente e as vezes leva até 1h pra conseguir passar o cavalinho...

JOpz

Rb disse...

Essa trilha trouxe a certeza de q posso superar limites. Medo de nao conseguir terminar pelo cansaco, medo de nao conseguir ultrapassar os obstaculos, medo dos abismos, mas se «o medo e o caminho p o sofrimento» nao quero isso pra mim. Superar os medos e seguir. A recompensa vem logo depois e fica gravada p sempre. So agradecer! O Jopz e o grande responsavel por essas conquistas em minha vida! Inspirador!

Mildão disse...

Uau, essa está nos meus afazeres faz tempo. Vou ver se minha nega não se anima com "banho quente" no final pode ser, heheheheh.

Saudades do casal, precisamos marcar uma pernada!!!!!

[]s Mildão

Mooooooove

Fabio Binder disse...

Show de aventura, relato e fotos! Qualquer dia teremos fotos do K2 por aqui.

Marlon Netto disse...

Inspirador e motivador. Belo relato e fotos fantásticas.

Vampira Dea disse...

Parabéns pelo passeio, relato e fotos, adorei fiquei morrendo de vontade.
Bjs

Ronaldo Paixao disse...

Oi parceiro,

Nesses abrigos o uso da cozinha é pago, não é?

É necessário levar fogareiro, panela, etc, ou tem lá à disposição?