DOCUMENTÁRIO: BIKE SP (2024)
A minha relação com a BICICLETA sempre foi ligada a DIVERSÃO e ESPORTE. Quando ganhei minha primeira bicicleta aos 7 anos (Monark Monareta) e decadas depois quando comprei minha GT ARROWHEAD, sempre foi pra passear, pra fazer trilhas, pra fazer longão com os camaradas do pedal, enfim... acredito que muita gente também tenha essa relação, mas agora que assisti aos 5 episódios do documentário BIKE SP minha visão mudou... bike também é trabalho, ativismo, inclusão e liberdade, então vamos lá...
BIKE SP é uma série que aborda, explora e mostra a BIKE não como uma opção de lazer e diversão, mas como um ferramenta.. de trabalho, de inclusão, de protesto... um olhar distinto sobre o impacto da bike na vida da pessoa, das pessoas na cidade e da aglomeração urbana...
São 5 episódios da primeira temporada com 25min cada:
EPISODIO 1 PEDALE-SE: É sobre um ativista da BIKE chamado ROGÉRIO RAI que criou um mote, um lema, um bordão chamado PEDALE-SE pra incentivar as pessoas a usar a bike. Familia de origem sergipana, ele é de SÃO MIGUEL PAULISTA. Organiza grupos de cicloturismo lá no bairro da periferia. Desperta nas pessoas a consciencia do seu local, do grafite nos muros, do espaço publico compartilhado... Alerta para a necessidade de aumentar os bicicletários nos terminais do metro.
Link para o PEDALE-SE no Instagram
EPISÓDIO 2 COLETIVOS: é sobre as TURMAS DE PEDAL, GRUPOS DE CICLISMO, mas não aquela turminha de gente rica pedalando bicicletas de 15 mil reais... são grupos de ativismo... como o PEDAL DO ROLO que reune principalmente a galera da BIKE FIXA e ENTREGADORES DE BIKE... e a grupo de pedal MALUNGADA que é exclusivo para pessoas NEGRAS. E isso faz vc refletir.
tá certo isso? não! É incostitucional... não se pode discriminar pessoas pela cor
isso é racismo reverso? Sim...
Não se pode combater a VIOLÊNCIA usando VIOLÊNCIA então não é correto combater o preconceito e a discriminação contra a população NEGRA discriminando a população de outras raças, simples assim...
Mas deixando a questão racial delado, esse episodio mostra o papel da bike como FERRAMENTA DE ATIVISMO (mesmo que seja um ativismo inconstitucional no caso da Malungada). Pedalar como protesto. Pedalar como manifestação por atenção. Pedalar por mudanças.
EPISÓDIO 3 CARACAS: fala sobre BMX, as dirty bikes e uma pista que serviu como local de inclusão para jovens lá em Carapicuiba.
EPISÓDIO 4 ENTREGA: foi o que eu mais curti. É sobre o trabalho de entregadores/delivery com bikes, mas não é só mostrar a BIKE como ferramenta de trabalho, mas como ferramenta de LIBERTAÇÃO. Ao invés de trabalhar pra grandes empresas, CLT, chefes abusivos, ambientes tóxicos, aqui as pessoas se organizam em cooperativas de entregadores, todo mundo se ajuda e se reveza na manutenção da base de trabalho, dividem as entregas por região e dividem os ganhos pro igual... a SENORITA COURIER é um grupo só para mulheres e para comunidade LGBT+ e a GIRO SUSTENTAVEL dá o exemplo de cooperativismo.
EPISÓDIO 5 CIDADE DO FUTURO: o impacto das CICLOVIAS, CICLOFAIXAS e projetos CICLOVIÁRIOS na vida das pessoas e na sua relação com a cidade. Fantástica reflexão. Nossas cidades foram criadas, projetas e construidas para usar o CARRO. Dane-se o pedestre, se quiser que ande em uma calçada estreita e irregular (vide as pessimas calçadas de CURITIBA/PR)... Dane-se o ciclista, se quiser que ande na calçada dividindo espaço com o pedestre. Tudo é para o carro... 4 faixas pra rolamento e mais 1 ou duas faixas pra estacionamento. Ciclovias ou Ciclofaixas quando existem são improvisadas e ligam nada a lugar algum... não se conectam... Esse episodio mostra que uma pequena ciclovia permitiu a um grupo de 12 crianças irem pra escola PEDALANDO e como isso fez diferença na sua vida e na sua rotina. O motorista só vê o ciclista como um INCOMODO... não percebe que aquela bike é um carro a menos. Não percebe que aquela bike não está poluindo o ar. Que aquela bike não está FAZENDO BARULHO. Ciclista passeando, ciclista fazendo entrega, ciclista usando a bike pra chegar no trabalho NÃO É UM INIMIGO, é um guerreiro, um idealista, um ativista, um exemplo a ser seguido...
Agora é só esperar o lançamento da SEGUNDA TEMPORADA, se vc pedala eu diria que esses episodios são MATERIAL DE CONSUMO OBRIGATÓRIO pra dar mais um passo no caminho de transformar a bike de objeto de diversão em ferramenta de trabalho, inclusão e liberdade.
Sugestões para a próxima temporada? Deixa ai nos comentários. Eu sugiro mostrar a guerra sem fim e desproporcional entre os CARROS e os CICLISTAS, a constante falta de respeito e falta de noção dos motoristas. Falar também sobre o trabalho da policia que usa bicicletas, falar sobre as pessoas que usam e vivem da bike como ESPORTE... falar do impacto que gera como alavanca de economia e de turismo nos chamados pedais de CICLOTURISMO, promovendo a integração de quem pedala com as cidades, com a cultura e com novos passeios por locais onde so se chega a pé ou de bike.
Jopz curtiu e SUPER recomenda.


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