O MORRO DOS VENTOS UIVANTES (4X)

Na literatura inglesa temos esse clássico WUTHERING HEIGHTS escrito lá em 1847 pela britanica Emile Bronte, e que foi traduzido como O MORRO DOS VENTOS UIVANTES e que deu origem a vários  filmes... eu fiz uma maratona e assisti 4 em sequencia... então vou resumir aqui nesse paragrafo a história geral e depois comentar as diferenças entre as versões do cinema..

Primeiro ponto é o contexto histórico... o livro foi escrito em 1847 e a história se passa em 1801, ou seja, são 225 anos atras!!! A mulher dentro do casamento era praticamente um objeto de submissão, vitima de abusos físicos e verbais e sem direitos. Servia pra cuidar da casa, do marido e ter muitos filhos. 

Tudo gira em torno de Catherine Earnshaw e Heathcliff. O pai dela adota um menino na rua e leva pra criar na casa deles que fica lá no alto dessa colina onde sempre está ventando. Embora eles cresçam como IRMÃOS, isso nunca rolou na cabeça do Heathcliff que sempre foi APAIXONADO pela Catherine. Eles crescem. A familia fica POBRE. Ela se casa por dinheiro com o Edgar e o Heathcliff sente-se traido. Vai embora, mas a paixão nunca termina. Volta anos depois agora ricaço e começa uma relação de traição, paixão, BDSM, dominação, submissão que ultrapassa até as fronteiras do viver. Uma paixão digna de tragédia grega. Imensa e sem limites. Um tipo de amor que talvez só exista na imaginação dos escritores. O final é trágico. Agora vamos ver como cada filme mostrou isso...

1939 - O MORRO DOS VENTOS UIVANTES com Sir Laurence Olivier e David Niven. Filme em preto e branco. Teatral. Tem aquela musica orquestral de fundo atrapalha. O personagem Heathcliff é branco com cabelos e olhos escuros. Gosto de filmes antigos em P&B, mas pra mim esse não funcionou. O final é FANTASMAGÓRICO, porém é um final bonito... duas almas gêmeas que não puderam consumar seu amor em VIDA e que agora partem para uma jornada no além. 



1992 - O MORRO DOS VENTOS UIVANTES com a Juliete Binoche e o Ralph Fiennes. Confesso que a minha expectativa para essa versão era alta porque admiro os dois atores principais, porém na pratica foi decepcionante. O personagem Heathcliff é branco de olhos verdes e cabelos claros. Ele é um menino cigano com cabelos compridos. A casa dela é praticamente um MINI CASTELO. Embora eles não seja da realeza nem da nobreza, o ambiente é opulento, as portas gigantes, as cenas de jantar e dança parecem dignas da nobreza. Ele desenterra o cadaver dela. Aparentemente essa é a versão cinema que mais se aproxima do LIVRO e mostra um pouco da segunda geração. E aqui o elemento morte/fantasmas aparece de forma bem marcante. Se fosse pra rebatizar eu chamaria O MORRO DOS FANTASMAS CINTILANTES. 


2011 - O MORRO DOS VENTOS UIVANTES com.. O personagem Heathcliff é negro. Ele tem uma marca de ferro em brasa com as letras SV que dá a entender que ele era escravo, e ele é tratado como se fosse, com muita brutalidade, com muita segregação. A fotografia é escura, muitas cenas iluminadas só com o fogo da lareira ou luzes de velas. A casa dela é simples. O isolamento é grande. Não são pobres e não há miséria, mas é um ambiente muito simples e uma vida muito dura, com o frio e a chuva. Não gostei porque mostra matando carneiros, matando gansos, maltratando cachorros. O amor reprimido deles não se consuma. Deixa implicito/no ar se ele abusou ou não abusou do cadaver dela. O foco dessa versão não é mostrar o AMOR entre eles, mas mostrar que esse amor trouxe muita dor e muito sofrimento, e se fosse pra rebatizar eu chamaria de O MORRO DA TRISTEZA INFINITA.


2026 - O MORRO DOS VENTOS UIVANTES com a eterna Arlequina Margot Robbie e tem o Jacob Elordi (que aparece como Frankstein na versão mais recente)... A cena de abertura em um enforcamento em praça pública é intensa, faz pensar na LA PETIT MORT que os franceses falam. Nessa versão o vento é onipresente. O personagem Heathcliff é branco com cabelos negros. O tom de voz dele é perfeito.. grave porem sem precisar gritar... As cores são mais intensas (mas nada tão exagerado como em Bridergton por exemplo), idem os figurinos... existe uma exposição um pouco mais intensa (mas não explicita) das questões sexuais... Pra não compremeter a INCLUSÃO botaram uma tailandesa (Hong Chau) como dama de compania da Cathy. o clima vai sendo construido e o final NÃO mostra a parte da assombração nem da segunda geração. O marido dela EDGAR é retratado como uma boa pessoa e milionário. Agora que vi as outras versões, gostei mais dessa porque mostra a INTENSIDADE do amor, da paixão e do desejo que havia entre eles. 

Comentários

Postagens mais visitadas